QUANDO O MUNDO ESCOLHER UM LADO: O ARMAGEDOM E VOCÊ


 Ricardo André

Texto-base: Apocalipse 16:12–16

INTRODUÇÃO

Nesse texto do livro do Apocalipse encontramos uma das grandes profecias apocalípticas, que não muito longe terá seu cumprimento. Por ocasião da sexta praga, “as águas do grande rio Eufrates” se secam a fim de preparar o caminho dos “reis que vêm do lado do nascimento do sol”. O profeta vê sair da boca do dragão, da besta e do falso profeta “três espíritos imundos” que fazem sinais a fim de seduzir os “reis do mundo inteiro”, os quais se juntam no lugar chamado “Armagedom” (Ap 16:12-16). Essa profecia nos apresenta um conflito cósmico que atravessa gerações e alcança seu clímax na chamada Guerra do Armagedom. As profecias bíblicas predizem um momento em que o mundo vai ter que escolher um lado nessa guerra. Esse momento decisivo é chamado, na profecia, de Armagedom.

A palavra "Armagedom" é usada uma única vez em toda a Bíblia. Porém, este termo tem estimulado a imaginação de milhares de pessoas. Muitas vezes evoca imagens de uma guerra física cataclísmica nos noticiários ou na cultura popular. Para muitos cristãos, trata-se de uma batalha literal, militar, travada entre nações do Oriente Médio, a "batalha das nações", o desfecho da última guerra mundial, cuja apoteose será a volta de Cristo. Mas a compreensão bíblica e profética que temos como adventistas do sétimo dia revela que o Armagedom é essencialmente espiritual - o clímax do Grande Conflito entre Cristo e Satanás, entre a verdade e o erro, envolvendo a mente, o coração e a fidelidade dos seguidores de Cristo, que culminará na destruição dos ímpios, e no fim da história do pecado no mundo, por ocasião da segunda Vinda de Cristo. É a união de todas as forças do mal, sob a liderança de Satanás, contra o povo de Deus que guarda os Seus mandamentos e tem o testemunho de Jesus (Ap 12:17).

Ellen White declara: “Em breve será travada a batalha do Armagedom. [...] O mundo inteiro estará de um lado ou do outro da questão.” (Ellen G. White, Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], vol. 7, p. 1098).

“Um terrível conflito encontra-se diante de nós. Aproximamo-nos da peleja do grande dia do Deus todo-poderoso” (Eventos Finais [CPB, 2011], p. 143).

Se essa batalha está tão próxima, precisamos entender: que lado estamos escolhendo hoje? Como esse conflito nos alcança hoje? E como podemos permanecer firmes quando o mundo espiritual entrar em convulsão?

I. O QUE É A GUERRA DO ARMAGEDOM?

1. Armagedom é o clímax do Grande Conflito

A raiz do Armagedom está no conflito entre Cristo e Satanás - a batalha pela mente humana. É a conclusão de uma guerra que começou no Céu e termina no coração humano.

A Bíblia descreve: “Então ajuntaram os reis no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16, NAA)

O cenário é simbólico; representa a reunião dos poderes da Terra - religiosos, políticos e espirituais - contra o povo de Deus. A batalha ocorrerá quando as forças do mal tentarem acabar com o povo de Deus, mas Ele os protegerá. Isso ocorrerá pouco antes da segunda vinda de Cristo.

O Armagedom é um ajuntamento espiritual, não militar. O mundo será reunido em dois lados, e não haverá neutralidade.

Ellen White confirma a natureza espiritual dessa guerra: “Precisamos estudar o derramamento da sétima taça. Os poderes do mal não darão por encerrado o conflito sem uma peleja. Mas a Providência divina tem uma parte a desempenhar na batalha do Armagedom. Quando a Terra for iluminada com a glória do anjo de Apocalipse 18, os elementos religiosos, bons e maus, despertarão do sono, e os exércitos do Deus vivo entrarão em combate” (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], vol. 7, p. 1099).

“Em breve, muito em breve, será travada a última grande batalha entre o bem e o mal.” (Eventos Finais [CPB, 2011], p. 143).

E acrescenta: “Dois grandes poderes opostos são revelados na última grande batalha. De um lado está o Criador dos céus e da Terra. Todos os que se encontram do Seu lado têm o Seu selo. Eles são obedientes as Suas ordens. Do outro lado está o príncipe das trevas, com os que escolheram a apostasia e a rebelião.” (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], vol. 7, p. 1098, 1099).

Nesse tempo o mundo estará num verdadeiro caos econômico, moral e político. Ellen White previu para esse tempo guerras até a volta de Jesus: “Quando Deus ordenar a Seus anjos que soltem os ventos, haverá uma cena de lutas que nenhuma caneta conseguirá descrever” (Educação [CPB, 2021], p. 128).

Onde será travada essa batalha? Bem, a história não oferece registro de qualquer lugar chamado Armagedom, mas a Bíblia nos dá algumas pistas. O texto diz que a palavra "Armagedom" vem do hebraico. Nesse idioma, a palavra combina "har" que significa monte, e "magedon," que muitos conectam com "megido" (I Rs 9:15; Zc 12:11) (Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], v. 7, p. 937, 938). Portanto, o nome Armagedom pode ser entendido como "Monte de Megido". O Monte de Megido é uma pista com a qual podemos trabalhar.

Na época do Antigo Testamento, “Megido era uma cidade-fortaleza localizada no Vale de Jezreel (ou Planície Esdraelom), no sopé do Carmelo, entre o mar Mediterrâneo e o mar da Galileia. [...] O Vale de Jezreel era conhecido por várias batalhas famosas nos tempos antigos. No AT, a cidade de Megido testemunhou diversas batalhas decisivas na história de Israel (Jz 5:19-21; 6:33; 2Rs 9:27; 23:29-30). O Apocalipse parece usa esse tema da história de Israel para retratar o grande conflito final entre Deus e as forças do mal. Os poderes religiosos e seculares são retratados como um exército unido sob a liderança da trindade satânica para a batalha final. [...] O Monte de Megido era o monte Carmelo, situado perto da cidade. O monte Carmelo foi o local de uma das batalhas mais significativas da história de Israel, que envolveu o profeta Elias e os profetas de Baal (1Rs 18:16-46), cujo conflito estava centrado na identidade do Deus verdadeiro – o único digno de adoração (1Rs 18:38-39)” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 720).

O profeta convocou a nação para comparecer a esse monte e os desafiou a julgar entre o culto falso e o verdadeiro. Ouça seu corajoso apelo: “Até quando vocês vão oscilar entre duas opiniões? Se o Senhor é Deus, sigam-no; mas, se Baal é Deus, sigam-no”. [...] (1 Rs 18:21, NVI).

Deus conquistara uma grande vitória no Monte Carmelo. Ele derrotou os inimigos de Seu pacto, e novamente os derrotará, de uma vez por todas, no Armagedom.

De fato, o Comentário Bíblico Andrews explica: “Essa conexão identifica o Armagedom não como uma batalha militar a ser travada em algum lugar do Oriente Médio, mas sim como uma batalha espiritual de Cristo e Seus seguidores contra as forças das trevas (2Co 10:4-; Ef 6:12). A questão a ser resolvida de uma vez por todas na batalha final é a mesma que Satanás introduziu no início do grande conflito, a qual envolve a identidade do governante legítimo do Universo. O resultado da batalha final vai espelhar o resultado do confronto no Carmelo: o triunfo final de Deus sobre as forças das trevas” (v. 4, p. 720).

Retomando a pergunta que fizemos acima: Uma vez que o Armagedom será uma batalha espiritual, onde será travada essa batalha? As Sagradas Escrituras mostram que os três terríveis poderes que se unirão muito em breve “vão aos reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso” (Ap 16:14, NVI). Mostrando assim, que a batalha não se limita somente no Oriente Médio, e, sim, no mundo inteiro. Até porque seria fisicamente impossível reunir todos os exércitos do mundo num campo de batalha.

A irmã Ellen White reiterou: “A Terra será o campo de batalha – o local da peleja da vitória final. Aqui, em que por tanto tempo Satanás tem instigado os seres humanos contra Deus, a rebelião será debelada para sempre” (Eventos Finais [CPB, 2011], p. 143).

Descrevendo o tremendo alcance deste conflito, João diz: “Guerrearão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; e vencerão com ele os seus chamados, escolhidos e fiéis” (Ap 14:17, NVI). E outra vez: “Então vi a besta, os reis da terra e os seus exércitos reunidos para guerrearem contra aquele que está montado no cavalo e contra o seu exército” (Ap 19:19, NVI).

Tão tremenda será essa guerra que não fosse o fato de que Deus envia Seus poderosos anjos para proteger o Seu povo, este seria varrido da face da Terra.

2. Armagedom envolve engano religioso

O profeta João viu “três espíritos imundos” semelhantes a rãs saindo da boca da trindade profana – o dragão, a besta e o falso profeta (16:14), símbolos de poder religioso enganador, ecumênico e global, que prepara o mundo para a falsa adoração. E realizam sinais para enganar e reunir o mundo inteiro contra Deus, inclusive irão aos diferentes governos para convencê-los a tomar parte nessa tremenda “batalha daquele grande dia de Deus todo-poderoso”.

Sobre isso, Ellen White escreveu: “Assim como Satanás influenciou Esaú a marchar contra Jacó, instigará os ímpios a destruírem o povo de Deus no tempo de angústia” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 618).

Esse trio de poderes religiosos representam o espiritismo moderno ou o paganismo, o papado e o protestantismo apostatado, “os quais constituem a “grande Babilônia” dos últimos dias” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 720). Esses três poderes religiosos estarão unidos no tempo do fim sob a direção do príncipe das trevas. Terão como alvo lutar contra Deus todo-poderoso na pessoa de Seus filhos fieis.

Os espíritos demoníacos semelhantes a rãs irão capacitar os três poderes religiosos “a realizar sinais miraculosos como meio de persuasão. As atividades da trindade demoníaca resultarão em grande sucesso, pois os reis do mundo, ou seja, aqueles que detém o poder, serão enganados. Então, o cenário estará montado para o confronto final” (Idem, p. 719).

Ellen White afirma: “Satanás também opera com prodígios de mentira, fazendo mesmo descer fogo do céu, à vista dos homens (Ap 13:13)” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 612).

E, de maneira impressionante: “Como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará Cristo. A igreja tem há muito tempo professado considerar o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Assim, o grande enganador fará parecer que Cristo veio. Em várias partes da Terra, Satanás se manifestará entre os homens como um ser majestoso, com brilho deslumbrante, assemelhando-se à descrição do Filho de Deus dada por João no Apocalipse (cap. 1:13-15)” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 624).

O Armagedom não começa com bombas - começa com enganos espirituais, acontecimentos religiosos que irão confundir o mundo.

Esses enganos visam conduzir o mundo à falsa adoração - o ponto central do conflito final.

3. Armagedom culmina no Decreto Dominical

Quando ocorrerá o Armagedom? No Comentário Bíblico Adventista sobressai o entendimento de que o ajuntamento das nações (Ap 16:16) seria um “processo gradativo” que ocorreria “antes das pragas”.

Em 1890, Ellen White escreveu: “O tempo atual é solene e terrível para a igreja. Os anjos já estão cingidos, esperando a ordem de Deus para derramar suas taças de ira sobre o mundo. […] Satanás também está arregimentando as forças do mal, dirigindo-se ‘aos reis do mundo inteiro’, ajuntando-os sob sua bandeira, […] para ‘a peleja do grande Dia do Deus Todo-poderoso’” (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], v. 7, p. 1099).

A batalha começa então “quando os poderes religiosos e políticos da Terra iniciam seu ataque final ao povo remanescente de Deus”. (Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], v. 7, p. 934, 937). Isso sugere que o decreto dominical desencadeia o Armagedom. O decreto ocorrerá antes das pragas. Logo, o Armagedom deve começar antes das pragas com a emergência do poder da segunda besta e deve se estender até a vinda de Jesus.

Nesse sentido, podemos afirmar seguramente, que a batalha do Armagedom ocorrerá quando se desenvolver determinada situação que afetará os adventistas do sétimo dia em toda a Terra, na hora final do tempo de angústia. A serva de Deus, falando dos acontecimentos finais da história do mundo, assinala: “O mundo todo há de ser excitado à inimizade contra os adventistas do sétimo dia, porque eles não rendem homenagem ao papado, honrando o domingo, instituição desse poder anticristão. É propósito de Satanás fazer com que eles sejam exterminados da Terra, a fim de que não seja contestada sua supremacia desse poder no mundo” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros [CPB, 2008], p. 37).

Como tudo isso se dará? A profecia de Apocalipse 13 prevê a união do catolicismo com as igrejas protestantes ou evangélicas e espíritas no tempo do fim. Essa união envolverá a primeira besta (do mar), a segunda besta (da terra) e o protestantismo apóstata, que se unirá a eles.  A primeira besta representa o papado, que exerceu poder político-religioso opressivo durante a Idade Média (Ap 13:5, 7) e cuja "ferida mortal" (perda de poder temporal) seria curada (Ap 13:3). A segunda besta é identificada como os Estados Unidos, que se levantariam como uma nação de liberdade religiosa, simbolizada pelos seus dois chifres semelhantes aos de cordeiro. No entanto, no tempo do fim, passará a "falar como o dragão" (Satanás), usando de coerção para impor crenças religiosas (v.11). Esse poder no tempo do fim será fundamental para induzir o mundo inteiro a adorar a primeira besta, que recebeu a ferida mortal, em 1798, durante a Revolução Francesa (v. 12-18). Isso espelha a união entre a igreja e o estado que caracterizou o poder papal histórico.

“Apocalipse 13, portanto, indica que os Estados Unidos da América (a besta da terra) terá o papel principal na cura da ferida mortal do sistema papal (a besta do mar). No tempo do fim, a besta da terra estabelecerá uma união com a besta do mar, dando origem a uma instituição semelhante àquela que caracterizou o cristianismo medieval na Europa Ocidental, com o propósito de controlar a consciência e as crenças das pessoas. O impacto da besta da terra será mundial” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 706).

Os Estados Unidos da América do Norte, num futuro bem próximo, por meio de seu parlamento, emitirão um decreto que obrigará a todos guardarem o domingo (o falso sábado), como um gesto de adoração ao papado, a besta que emerge do mar (Ap 13:1-10). O Decreto Dominical será o clímax da união entre esses duas bestas. Nesse tempo, a observância do domingo pelas pessoas se tornará “a marca da besta”. Pessoas de todas as classes sociais serão pressionadas a receber essa marca em sua mão direita ou na testa (Ap 13:15-18). Obviamente, a marca da besta não é um sinal visível. A marca na mão direita tem a ver com o comportamento, enquanto o sinal na testa diz respeito à mente ou ao consentimento intelectual. Ou seja, alguns escolherão receber a marca da besta a fim de escapar da ameaça de morte, enquanto outros estarão totalmente comprometidos, mental e espiritualmente, com esse sistema de adoração apóstata. Assim como como o sábado é o sinal distintivo da obediência do fiel povo de Deus (Ez 20:12, 20), a marca da besta é o sinal da lealdade à besta. Esta marca envolve a substituição dos mandamentos de Deus por mandamentos de homens. A maior evidência desse fato é a instituição do domingo pelo papado (Dn 7:25) como dia de adoração em lugar do sétimo dia, o sábado, dia determinado nas Sagradas Escrituras por nosso Criador (Gn 2:1-3; Êx 20:8-11).

A tentativa de mudar o sinal da autoridade de Deus para outro dia tem o objetivo de usurpar a função e o poder do próprio Deus. “O sinal da besta é o dia de repouso papal, aceito pelo mundo em substituição ao dia designado por Deus. Ninguém recebeu até agora o sinal da besta. Ainda não chegou o tempo de prova. Há cristãos verdadeiros em todas as igrejas, inclusive na comunidade católico-romana. Ninguém é condenado sem que haja recebido iluminação nem se compenetrado da obrigatoriedade do quarto mandamento. Mas quando for expedido o decreto que impõe o falso sábado, e o alto clamor do terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem, será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro. Então os que ainda persistirem na transgressão receberão o sinal da besta” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 234, 235).

Como se vê, o Apocalipse revela que o sábado será um sinal de obediência no fim da história. Todavia, como explicou Ellen White, é preciso dizer que a observância do domingo hoje não significa ter a marca da besta. A guarda do domingo se tornará “a marca da besta” somente quando for expedido o decreto nos EUA tornando a guarda do domingo obrigatória, e compreendendo claramente as questões envolvidas na escolha de um dia de adoração, as pessoas fizerem sua escolha em favor de Deus ou contra Ele. A “marca da besta” se tornará a questão central e a escolha de um dia de adoração será a prova de fidelidade. No entanto, esse tempo ainda está no futuro.

Tal decreto será adotado por todas as outras nações do mundo. Quando isso se concretizar, o fiel povo de Deus deverá entender que esse é o sinal para retirar-se das cidades, fugindo da perseguição patrocinada pelos governos, e saber que Jesus estará prestes a voltar.

Inspirada pelo Espírito Santo Ellen G. White fala exatamente sobre esse evento futuro como sendo um importante sinal para o povo de Deus. Ela escreveu: “Como o cerco de Jerusalém pelos exércitos romanos era o sinal de fuga para os cristãos judeus, assim o arrogar-se nossa nação o poder no decreto que torna obrigatório o dia de repouso papal será uma advertência para nós. Será então tempo de deixar as grandes cidades, passo preparatório ao sair das menores para lares retirados em lugares solitários entre as montanhas” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 166).

Ela acrescenta: “Por um decreto que visará impor uma instituição papal em contraposição à lei de Deus, a nação americana se divorciará por completo dos princípios da justiça. Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança os Estados Unidos forem induzidos a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram deles um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo. Como a aproximação dos exércitos romanos foi um sinal para os discípulos da iminente destruição de Jerusalém, assim essa apostasia será para nós um sinal de que o limite da paciência de Deus está atingido, que as nações encheram a medida de sua iniquidade, e o anjo da graça está a ponto de dobrar as asas e partir desta Terra para não mais tornar” (Ibdem, p. 150, 151).

 “Apocalipse 13:17 mostra que, no clímax do drama do tempo do fim, as sanções econômicas àqueles que se recusarem a adorar a imagem da besta desempenharão um papel fundamental. A recusa em adorar a besta será tratada como um ato de deslealdade punível com morte. [...] Todo esse cenário culminará com a vinda de Cristo em poder e glória, seguida pela derrota da coalizão triúna satânica e de suas forças (19:11-21), bem como pela libertação do povo fiel (Dn 12:1)” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 706). Podemos então estar seguros de que de uma ou de outra forma logo haverá pelo menos uma união aparente entre os poderes religiosos e os governos do mundo para impor o “decreto de morte” contra o povo de Deus que guarda os mandamentos e tem a fé e o testemunho de Jesus (Ap. 14:12; 12:17).

Por mais de 160 anos, os adventistas do sétimo dia têm advertido o mundo sobre a reconciliação entre católicos e protestantes que se aproximava - mesmo quando todas as indicações políticas e religiosas faziam parecer impossível essa reconciliação.

Com base nessa profecia apocalíptica, em 1885, Ellen G. White predisse: “Quando o protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice aliança os Estados Unidos forem induzidos a repudiar todos os princípios de sua Constituição, que fizeram deles um governo protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo” (Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2007], v. 5, p. 451).

Ellen White ainda predisse: Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 445).

Quando ela escreveu essas palavras, os protestantes e católicos viviam em “guerra” uns com os outros. Em 1885, o movimento ecumênico ainda estava longe no futuro, mas os tempos mudaram muito. Hoje, evidentemente, o impossível se tornou quase inevitável, pois vez após outra católicos e protestantes estão se unindo em toda uma infinidade de assuntos. Muito interessante ainda, e novamente seguindo o que Ellen White escreveu mais de um século atrás, são os protestantes que estão fazendo as mais incríveis concessões, tudo a fim de causar essa união com Roma.

É perceptível que o movimento ecumênico que promove a união das igrejas ou religiões cresce no mundo. Desde o alvorecer do novo milênio estamos testemunhando o maior impulso rumo à unidade ecumênica que o mundo já viu. E esse fato é, indubitavelmente, uma importante tendência que apontam para o cumprimento da profecia apocalíptica. 

A crise final envolve a falsa adoração versus a fidelidade ao mandamento de Deus, especialmente o sábado.

Ellen White declara: “O sábado será a pedra de toque da lealdade; pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, traçar-se-á a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não O servem. Ao passo que a observância do sábado espúrio em conformidade com a lei do Estado, contrária ao quarto mandamento, será uma declaração de fidelidade ao poder que se acha em oposição a Deus, é a guarda do verdadeiro sábado, em obediência à lei divina, uma prova de lealdade para com o Criador. Ao passo que uma classe, aceitando o sinal de submissão aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a outra, preferindo o sinal da obediência à autoridade divina, recebe o selo de Deus” (Idem, p. 605).

O Armagedom é, no fim das contas, a escolha entre o selo de Deus, que é o santo sábado e a marca da besta, a rendição ao engano e à falsa adoração (o domingo, o falso sábado).

O Armagedom não é um conflito geopolítico, mas o momento em que o mundo se posiciona: ou com o Cordeiro, ou com o dragão.

A grande questão será: A quem eu adoro? Obedeço a Deus ou às tradições humanas? Guardo o sábado bíblico ou me submeto à imposição humana?

II. O ARMAGEDOM E O POVO DE DEUS

1. Um povo selado, não enganado

A Bíblia mostra que antes da crise final, Deus sela Seu povo (Ap 7). Esse selo os torna inabaláveis em meio ao engano, bem como os torna protegidos das forças destrutivas das sete últimas praga.

O que é esse selo? Ellen White explica que o selo de Deus que será aplicado na fronte de Seu povo “não é algum selo ou sinal que possa ser visto, mas a consolidação na verdade, tanto intelectual como espiritualmente, de modo que não possa ser abalado.” (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, p. 1280).

O selo de Deus no tempo do fim será o sábado. “Assim como o sábado foi o sinal do povo de Deus nos tempos bíblicos (Êx 31:12-17; Ez 20:12, 20), João o apresentou como sinal de lealdade a Deus na crise final” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 677).

Quem não estiver firmemente fundamentado na verdade será facilmente enganado. Ellen White descreve: “Pessoa alguma, a não ser os que fortaleceram o espírito com as verdades da Escritura, poderá resistir no último grande conflito.” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 593).

2. Uma batalha travada no coração

Armagedom não é sobre tanques ou drones; é sobre pensamentos, crenças e fidelidade.

O mundo está nesse momento escolhendo um lado. Você e eu precisamos escolher o nosso hoje. Cada pessoa está agora decidindo de que lado ficará no conflito final.

A guerra final já começou em nossas escolhas diárias - a decisão de obedecer, confiar e permanecer com Cristo.

3. Proteção divina na hora da crise

No clímax da crise, quando as sete últimas pragas caírem sobre os desobedientes, Deus protegerá Seus fiéis, como Israel no Egito.

“O povo de Deus não estará livre de sofrimento; mas conquanto perseguidos e angustiados, conquanto suportem privações, e sofram pela falta de alimento, não serão abandonados a perecer. O Deus que cuidou de Elias, não desamparará nenhum de Seus abnegados filhos. Aquele que conta os cabelos de sua cabeça, deles cuidará; e no tempo de fome serão alimentados. Enquanto os ímpios estão a morrer de fome e pestilências, os anjos protegerão os justos, suprindo-lhes as necessidades.” (Idem, p. 629).

E Ellen White completa sobre esse momento: “Quando a proteção das leis humanas for retirada dos que honram a lei de Deus, haverá, nos diferentes países, um movimento simultâneo com o fim de destruí-los. Aproximando-se o tempo indicado no decreto, o povo conspirará para desarraigar a odiada seita. Resolver-se-á dar em uma noite um golpe decisivo, que faça silenciar por completo a voz de dissentimento e reprovação. O povo de Deus - alguns nas celas das prisões, outros escondidos nos retiros solitários das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteção divina, enquanto por toda parte grupos de homens armados, instigados pelas hostes de anjos maus, se estão preparando para a obra de morte. É então, na hora de maior aperto, que o Deus de Israel intervirá para o livramento de Seus escolhidos.” (Idem, p. 635).

O Armagedom pode ser assustador para o mundo - mas para o povo de Deus, é o momento em que o Céu intervém. A intervenção de Deus se dará por meio da volta de Jesus em glória e majestade para libertar Seu povo, sob ameaça de morte, e com isto também destruirá o mundo infiel que luta contra Ele na pessoa de Seus fiéis. Jesus e Seus santos são representados pelos “reis que vêm do Oriente” (Ap 16:12), após a secagem do rio Eufrates (Ap 16:12; Dn 7:18, 27; Ap 3:21; 5:10; 20:4; 22:5).  Assim como a conquista da antiga Babilônia foi facilitada pela secagem do rio Eufrates literal, efetuada por Ciro e Dario, antigos reis do Oriente, proporcionando a libertação subsequente do povo de Deus, os judeus, para que voltassem a sua terra natal, no final da batalha do Armagedom, de modo figurativo, a queda da Babilônia mística se dará também pela secagem das águas simbólicas do rio Eufrates, que são os “povos, multidões, nações, línguas” (Ap 17:15). Nesse último caso, “a secagem das águas do Eufrates se refere à retirada do apoio humano à Babilônia mística, em conexão com a sexta praga” (Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], v. 7, p. 935).

“O contexto deixa claro que a coalizão de reis que sustentam Babilônia na crise final será desfeita na sexta praga. João diz que os “três espíritos” buscam o apoio dos “reis do mundo inteiro” (Ap 16:13). Depois indica que a meretriz está “sentada sobre muitas águas” (17:1) e “montada” sobre os “reis” (17:2, 3, 17). Ainda afirma que as “águas são povos, multidões, nações e línguas” (17:15). Logo, a retirada das “águas” indica o fim do apoio dos reis e das nações da Terra à Babilônia (16:12). Assim, a secagem das águas determina a completa fragmentação da coalizão formada pelos “espíritos” (religiões) e os “reis” (poderes políticos) da Terra” (Vanderlei Dorneles, Armagedom: a última batalha. Revista Ministério, Jul-Ago 2016). Esse fato preparará o caminho para a vinda de Cristo para destruir a Babilônia mística.

Compartilho com você um trecho de uma das melhores descrições do advento de Cristo que se encontra em O Grande Conflito:

“Surge logo no Oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do homem. Em solene silêncio fitam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. Jesus, na nuvem, avança como poderoso vencedor. Agora, não como "Homem de dores", para sorver o amargo cálice da ignomínia e miséria, vem Ele vitorioso no Céu e na Terra para julgar os vivos e os mortos. [...]Nenhuma pena humana pode descrever esta cena, mente alguma mortal é apta para conceber seu esplendor. [...] O Rei dos reis desce sobre a nuvem, envolto em fogo chamejante. Os céus enrolam-se como um pergaminho, e a Terra treme diante dEle, e todas as montanhas e ilhas se movem de seu lugar. [...] Por entre as vacilações da Terra, o clarão do relâmpago e o ribombo do trovão, a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele olha para a sepultura dos justos e, levantando as mãos para o céu, brada: "Despertai, despertai, despertai, vós que dormis no pó, e surgi!" Por todo o comprimento e largura da Terra, os mortos ouvirão aquela voz, e os que ouvirem viverão. [...]Do cárcere da morte vêm eles, revestidos de glória imortal, clamando: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?" I Cor. 15:55. E os vivos justos e os santos ressuscitados unem as vozes em prolongada e jubilosa aclamação de vitória. [...] Ele mudará nosso corpo vil, modelando-o conforme Seu corpo glorioso. [...] Os últimos traços da maldição do pecado serão removidos, e os fiéis de Cristo aparecerão "na beleza do Senhor nosso Deus", refletindo no espírito, alma e corpo, a imagem perfeita de seu Senhor. [...] Os justos vivos são transformados "num momento, num abrir e fechar de olhos". À voz de Deus foram eles glorificados; agora tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. Os anjos "ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus." Criancinhas são levadas pelos santos anjos aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela morte, reúnem-se, para nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria ascendem juntamente para a cidade de Deus” (p. 640-645).

Que cena de vitória e tragédia – vitória para os santos - Jesus vai levá-los para Casa, tragédia para os pecadores impenitentes! Que Deus nos ajude a estarmos preparados.

III. LIÇÕES ESPIRITUAIS DO ARMAGEDOM

1. A fidelidade de amanhã é construída hoje

Não seremos fiéis na crise se não formos fiéis agora. O caráter não nasce no momento da provação; ele é revelado. Se deixarmos para escolher na crise, será tarde demais.

A lição para nós é: Meu caráter de hoje decide meu destino espiritual de amanhã.

2. Conhecer a Bíblia é questão de sobrevivência espiritual

A crise final será marcada por enganos poderosos: falsos milagres, falsas conversões e falsa espiritualidade.

“Pessoa alguma, a não ser os que fortaleceram o espírito com as verdades da Escritura, poderá resistir no último grande conflito.” (O Grande Conflito, p. 593).

Sem Bíblia, somos presa fácil dos enganos finais. A Bíblia não é um livro para estudo esporádico — é escudo de sobrevivência espiritual.

3. A obediência aos mandamentos não é legalismo - é lealdade

No Armagedom, a questão é lealdade ao governo de Deus. Obediência não é legalismo. No Armagedom, a questão é: A quem eu pertenço?

Deus terá um povo fiel. “No desfecho desta controvérsia, toda a cristandade estará dividida em duas grandes classes - os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, e os que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal.” (Idem, p. 450)

Não haverá meio-termo. O Armagedom é, no fundo, a escolha entre o selo de Deus e a marca da besta.

Guardar o sábado é um ato de amor e fidelidade, não de tradição.

4. Cristo é o nosso General na batalha final

Quando Deus vencer os poderes do mal, nós também podemos vencer com Ele! O Apocalipse nos assegura que os santos triunfalmente “entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro” (Ap 15:3).

O cântico de Moisés e do Cordeiro! Qual seria ele? Bem, você se lembra como Deus livrou Moisés e os israelitas na batalha com Faraó, durante seu Armagedom, com tribulações e pragas. Nós também enfrentaremos tribulação durante a crise final da Terra. A Bíblia diz que haverá sofrimentos de fato: "Haverá um tempo de angústia, o qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo [...]” (Dn 12:1).

Graças a Deus, Ele nos livrará, assim como salvou Moisés e os israelitas há muito tempo. Nós venceremos a tribulação final da Terra através do sangue do Cordeiro - o sangue de Jesus Cristo na verga da porta de nosso coração.

Não enfrentamos a guerra sozinhos. A vitória no Armagedom não é conquistada - é recebida de Cristo.

O Armagedom não é uma luta para se temer, mas uma batalha já decidida.

A vitória será finalmente dada ao povo de Deus. Através de Cristo, cada crente pode ser mais do que vencedor.

O Armagedom termina com destruição do mal e com o triunfo do bem. A controvérsia cessará, e Cristo reinará como Rei dos reis.

CONCLUSÃO

O mundo está marchando para o momento decisivo da História. A Bíblia anuncia. O Espírito de Profecia confirma. Os sinais do tempo gritam. Estamos a viver nos "últimos dias" da história da Terra. As cenas de estupendo interesse estão bem diante de nós. A batalha do Armagedom aproxima-se rapidamente.

O Armagedom não é ficção, não é teoria da conspiração - é a escolha final entre o governo de Deus e os enganos do inimigo.

A Guerra do Armagedom não é um evento distante, mas o desfecho de um processo que já está em andamento. Cada decisão que tomamos expressa a quem damos nossa lealdade. O céu está reunindo seus exércitos, e o inimigo também.

A pergunta final é a mesma que Elias dirigiu ao povo: “Até quando vocês vão oscilar entre duas opiniões?”

E a pergunta de Deus hoje é simples: Quando o mundo escolher um lado… de que lado você estará? O mundo ainda vai escolher um lado. Mas você não precisa esperar. A sua escolha pode ser feita hoje.

APÊLO

Meu apelo hoje é para que cada um de nós examine o seu coração e a sua lealdade. Onde você se posiciona neste grande conflito? Você está do lado de Cristo, firmemente enraizado em Sua Palavra, ou está, consciente ou inconscientemente, a unir-se às agências satânicas?

Hoje Cristo nos chama a fidelidade total:

• Fidelidade à Sua Palavra

• Fidelidade ao Seu mandamento

• Fidelidade ao sábado

• Fidelidade ao Seu caráter

• Fidelidade em meio ao conflito

Amigo, se você deseja estar do lado vencedor no Armagedom, responda em seu coração: “Senhor, quero permanecer fiel a Ti em meio à crise final. Toma meu coração. Sela minha mente, fortalece minha fé, forma meu caráter, e guarda-me no dia da batalha final. Faz de mim um soldado do Teu reino.” Amém.

Então entregue essa decisão agora ao Senhor Jesus Cristo, o General que nunca perdeu uma batalha.

 

 

Comentários